sexta-feira, 31 de julho de 2009

Educação da Sexualidade, um desafio para o próximo ano!

No ano lectivo 2009.2010, o Centro de Educação Integral procurará promover a “educação da sexualidade” nas diversas turmas do Ensino Básico e do Ensino Secundário, no âmbito da “educação integral” proposta no seu projecto educativo.

Esta é, sem dúvida, uma área de formação complexa que exige a preparação dos professores que irão trabalhar directamente com as crianças e os jovens. E, nesse sentido, ocorreu já um encontro, no dia 7 de Julho, orientado pela Drª Teresa Tomé Ribeiro e pela Drª Teresa Soares Souto - assistiu-se a uma exposição cuidada e sustentada sobre as diversas dimensões da sexualidade. Segue-se, agora, a planificação dos trabalhos a desenvolver, para dar resposta de forma pedagógica e num contexto interdisciplinar às questões que surgirem. Será também importante encontrar estratégias para envolver a família – principal responsável – de forma a que não se criem equívocos e se dê continuidade, em contexto familiar, aos projectos iniciados na escola.
Na verdade, este diálogo entre escola e família acontecerá porque os trabalhos basear-se-ão num conjunto de valores que promoverão uma vivência responsável da sexualidade. Assim, aceita-se que uma criança, ou um jovem, terá comportamentos responsáveis se lhe for facultada informação adequada; aceita-se que uma criança, ou um jovem, deverá estar consciente de que a sua sexualidade está intimamente relacionada com a sua personalidade, condicionando ou não a relação consigo próprio e com os outros; aceita-se que a sexualidade é fonte de vida - dimensão que deverá ser vivida de forma livre, consciente e responsável; aceita-se que as diferenças sexuais não poderão ser fonte de desigualdade; aceita-se que a sexualidade tem diferentes expressões ao longo da vida e que nunca se deve permitir qualquer forma de violência ou a coacção.
Os projectos a desenvolver em cada turma darão origem a vários trabalhos que poderão assumir diversas formas de expressão: coreografia, teatro, inquérito, blog, filme, sessões com especialistas, exploração de um livro, construção de um puzzle, sessões de esclarecimento, debates, poesia, entre outras. Pretende-se, pois, desenvolver conhecimentos, atitudes e competências de forma pedagógica e a legislação publicada prevê que se abordem vários conteúdos. Assim, a nível dos conhecimentos, “as várias dimensões da sexualidade; a diversidade dos comportamentos sexuais ao longo da vida e das características individuais; os mecanismos da resposta sexual, da reprodução, da contracepção e da prática de sexo seguro; as ideias e valores com que as diversas sociedades foram encarando a sexualidade; o amor, a reprodução e as relações entre os sexos ao longo da história e nas diferentes culturas; os problemas de saúde - e as formas de prevenção - ligados à expressão da sexualidade, em particular as gravidezes não desejadas, as infecções de transmissão sexual, os abusos e a violência sexuais; os direitos, a legislação, os apoios e recursos disponíveis na prevenção, acompanhamento e tratamento destes problemas.” No âmbito das atitudes, “uma aceitação positiva e confortável do corpo sexuado, do prazer e da afectividade; uma atitude não sexista; uma atitude não discriminatória face às diferentes expressões e orientações sexuais; uma atitude preventiva face à doença e promotora do bem-estar e da saúde.” No que respeita a competências, tomada “decisões responsáveis”; recusa de “comportamentos não desejados ou que violem a dignidade e os direitos pessoais”; “utilização de um vocabulário adequado”; “utilização, quando necessário, de meios seguros e eficazes de contracepção e de prevenção do contágio de infecções de transmissão sexual”; competência “para pedir ajuda e saber recorrer a apoios, quando necessário”.

Com certeza que o contacto com as turmas no início do ano trará novas pistas de abordagem da sexualidade que poderão ir muito além dos elementos aqui elencados. As vivências, as sensibilidades, os sentimentos, os valores, a moral, os conhecimentos, os meios de comunicação, são factores tão diversos e respeitáveis que seria um erro negá-los ou evitá-los. Contudo, também não será viável um trabalho que procure dar resposta a todas as solicitações, sob pena de tudo continuar na mesma. Não esqueçamos de que já há legislação sobre esta matéria (educação sexual nas escolas) desde 1984, pelo menos. Mas nem tudo ficou por fazer, sublinhe-se o facto de que os programas de diversas disciplinas prevêem módulos que exploram algumas das dimensões da sexualidade e que são muitos os professores que se dispõem a esclarecer dúvidas que vão muito além do que inicialmente estava previsto. Não será de descurar também a relação privilegiada que os adolescentes e jovens estabelecem entre si, que acaba por se tornar o melhor veículo de informação que eles encontram. Será necessário estabelecer boas pontes para que o trabalho realizado traga melhorias: assegure, esclareça e alargue os conhecimentos já dominados por eles.A educação da sexualidade na escola terá, portanto, de afirmar-se como um projecto aglutinador ou integrador e deverá promover, acima de tudo, o projecto de vida; será aí que a sexualidade ganhará força e sentido.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

ZERO OITO ZERO NOVE!

Desceu lentamente a escada estreita de metal que o largou na estação que o aguardava com indiferença. Era a terceira paragem, desde o início da viagem. Deu os primeiros passos por entre centenas de passageiros que procuravam o seu destino naquele cais, aparentemente, caótico. Olhou o relógio, agarrou com determinação o carrinho de metal e procurou a saída. A bagagem abria caminho e parecia farejar as pernas dos transeuntes mais distraídos.
Ao fundo da sala, esquecida, a máquina de bebidas engoliu com sofreguidão as moedas e tremeu ao libertar uma garrafa de água. Encostado, por entre tragos demorados, observava a sala cujas paredes se elevavam até ao limite de vários andares. Conseguiu contar doze. À sua frente analisou um trabalho em azulejo onde destacou várias figuras que, em festa, dançavam e passam debaixo de arcos ornamentados. Pareceu-lhe familiar aquele quadro. Uma estranha melodia ocupou a sua memória. Cantarolou, maquinalmente, dá-lhe,dá-lhe, dá-lhe, com o alho...
Deixou na caixa amarela a garrafa esgotada e retomou o sentido da saída. Vagueou pelo passeio que acompanhava a fachada do edifício e reparou nas árvores frondosas cujas folhas se entregavam ao vento numa ondulação cujo ritmo só eles marcavam. Por momentos, ouviu, sob as árvores alinhadas, um alarido que o cativou. Apurou a vista e reparou nas várias barracas cobertas por um pano cru, dentado na parte frontal, que se distribuiam por todo o espaço atapetado pelo verde da erva que ali crescia. Vários figurantes erravam por ali com algum objectivo. Os sons e as imagens lembravam-lhe uma feira. O relinchar de um cavalo junto ao pelourinho deixou no ar uma nostalgia que ele não sabia explicar.
Um autocarro quebrou esta visão. Encostou lentamente ao passeio, balançou nas suspenções, libertou a pressão e abriu as portas automáticas que ofereceram passagem às crianças que saíram à procura dos degraus, encandeadas pela forte luz solar. Vinham de sacola ao ombro e libertavam um aroma marcado pelo protector, transformado pelo suor, pelo sol e pela areia. Iam felizes.
Só ele parecia não saber para onde ir. Brincou com uma pedra do passeio que achou melhor não pontapear. Reparou que acabava ali a fachada do edifício da estação e que o muro que lhe dava continuidade não escondia por completo uma chaminé vermelha e amarela que se elevava alegre, de entre outros objectos por ali armazenados: velhos carris, macacões, bonés, lenços... Mais ao fundo destacava-se um mastro. Ainda segurava uma vela branca que se oferecia ao vento que lhe tocava para que recordasse as grandes viagens do passado. Parecia um barco que gozava o merecido descanso depois de ter descoberto a Ilha Desconhecida. Estranhou o anglicismo que resistia num papel de cenário amarrotado: Sold. Que história esconderia aquele pedaço de cenário!?
Voltou a olhar o relógio. Uma voz abafada mas habitual irrompeu: "Senhores passageiros com destino a 2009-2010 é favor chegar à secretaria."Uma lágrima percorreu o seu rosto. Acenou com simpatia e entrou no museu que o convidava mesmo em frente.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Festa de Final de Ano! Ginástica, Feira Medieval, Espectáculo de Dança.

No dia 20 de Junho, o CEI esteve em festa. O Espaço exterior da escola acolheu várias iniciativas que envolveram alunos de todas as idades, professores, pais e muitos amigos que aproveitaram a oportunidade para visitar a escola.
As imagens recordam com cor e alegria as apresentações dos grupos de ginástica, preparados pela Professora Sofia Machado.











Sobre a Feira Medieval, tomo a liberdade de transcrever a notícia elaborada pelo Professor Augusto Pinho, um dos responsáveis pelo evento:
"No dia 20 de Junho, o Centro de Educação Integral foi palco da VII Edição da Feira Medieval. À semelhança do que vem acontecendo desde há alguns anos, esta actividade foi desenvolvida pelos alunos no âmbito do trabalho de projecto na disciplina de História e envolveu outras áreas disciplinares, conseguindo assim mobilizar toda a comunidade escolar. A Feira Medieval é um evento importante na vida do CEI que tem como principais objectivos a promoção de saberes transdisciplinares, a preservação do património natural e cultural da região e a recriação de situações históricas da Idade Média.
No recinto, mais de uma centena de figurantes, mormente alunos, incutiram a ambiência da época aos visitantes, apresentando-se vestidos a rigor, com indumentárias que retratavam fidedignamente a sociedade medieval portuguesa, que se caracterizava por ser ruralizada e tripartida, num período em que o vestuário era um dos elementos de diferenciação e distinção social. Com um cenário natural e tipicamente medievo a servir como pano de fundo, foi feita a leitura solene da Carta da Feira pelo arauto, junto ao pelourinho e procedeu-se à abertura da mesma às 10 horas da manhã.
Ao longo do dia músicos, saltimbancos, artesãos, nobres, clérigos, camponeses, bobos, ciganas, dançarinas, pedintes e malabaristas animaram e deram ao recinto da feira um colorido ainda mais festivo, na recriação de um ambiente desusado. Alguns dos “feirantes” com menos pejo, procuraram fazer negócio, apregoando as suas mercadorias, com o intuito de surpreender os clientes mais “incautos” e por conseguinte encherem o ambiente de alegria e entusiasmo. Não faltaram as tendas de vendas e as vendas ambulantes de mel, brinquedos e bijutaria; o artesanato em couro, ferro e madeira; as andas, jogos do prego e do tiro com besta; os passeios equestres, danças orientais, teatro e fantoches. Do cardápio gastronómico constou, e a título de exemplo, o porco no espeto, o vinho, os doces “conventuais” e as fogaças.
Destaque para o “Grupo de Tambores de Santa Maria” que trouxe sons medievais à feira, através do uso de instrumentos de percussão e das gaitas de foles. Realça-se também uma exposição de trabalhos, na qual foram apresentadas maquetas e ilustrações realizadas pelos alunos, sobre castelos e outros aspectos do quotidiano medieval.
No final, a todos os alunos e artesãos participantes, foram ofertadas lembranças, designadamente diplomas e medalhões alusivos ao acontecimento.
O empenho de docentes e discentes permitiram que dentro da escola fosse vivido um dia, no mínimo diferente. Lições de História ao vivo, como a “Feira Medieval” não se podem perder no esquecimento do fundo de um baú de tempos passados. O presente não pode dispensar a memória do passado!
Bem Hajam Todos pela coragem, dedicação e determinação que colocaram neste projecto, que já se tornou um acontecimento marcante no seio da “família” do CEI! Valeu a pena!"






Não esquecemos o coro infantil que também se organizou para nos encantar com movimentos e vozes afinadinhos! Parabéns às Professoras Ester e Isabel Valente.









Os alunos de dança do CEI, em conjunto com os alunos de dança do Ginasiano, apresentaram "O Valente Soldadinho de Chumbo". Coreografia, música, som, cenário, luzes, guarda-roupa, cativantes, muito bons. A arte surgiu no palco e arrancou-nos emoções inesquecíveis! Momento de poesia que surge do esforço, da dedicação, da criatividade, da técnica, do saber! Parabéns aos alunos e aos professores.