domingo, 22 de março de 2009

III Reflexões da Primavera no Centro de Educação Integral

Que valores promover na escola? Que metas estabelecer no projecto de vida? Que valores lá devem constar como princípio activo? O que tem valor na nossa busca constante de felicidade?
No presente ano lectivo, o centro de Educação Integral (CEI) tem vindo a desenvolver várias actividades inspiradas no mote “Escola Promotora de Valores”. Para além dos trabalhos elaborados em cada turma, oportunamente apresentados aos pais, foram realizadas duas conferências, a primeira sobre alimentação e valores, a segunda sobre o respeito pelas diferenças, em Outubro de 2008 e Janeiro de 2009, respectivamente, ambas abertas à comunidade.
As III Reflexões da Primavera tiveram lugar nos dias 19, 20 e 21 de Março. Também aqui os valores assumiram lugar fundamental. Que valores promover na escola? Que metas estabelecer no projecto de vida? Que valores lá devem constar como princípio activo? O que tem valor na nossa busca constante de felicidade? Que valores na relação com os outros? Que valores deverão defender os professores enquanto educadores activos e empenhados? Estas e outras questões orientaram a reflexão dos alunos e professores nos dias 19 e 20. A título de exemplo, no ensino secundário, os alunos foram confrontados com o resultado dos inquéritos aplicados dias antes. Foi interessante verificar que praticamente todos os alunos tencionam prosseguir estudos, contudo, poucos são os que já definiram a formação superior que desejam, mesmo os que estão a terminar o 12º ano. É um facto que poderá ter várias leituras. Quando questionados quanto aos factores que dificultam os seus objectivos, as respostas mais repetidas foram a “falta de empenho”, “notas” e “auto-confiança”. A família apareceu como o factor adjuvante mais mencionado. Os valores em destaque foram “ambição e persistência”, amizade e amor”. Foi um diálogo muito interessante e esclarecedor aquele que se desenvolveu entre alunos e professores.
Na tarde do dia 20, os professores do CEI, orientados pela Dr.ª Ana Oliveira Pinto, reuniram para trabalhar também a problemática dos valores, a partir das suas experiências na educação de crianças e jovens. Foi um encontro enriquecedor, porque permitiu o diálogo, a troca de saberes, a adopção de atitudes mais coerentes e o estabelecimento de projectos futuros que favoreçam a relação inter-pessoal.
No dia 21, de manhã, o CEI promoveu uma comunicação aberta a toda a comunidade que foi brilhantemente preparada e proferida pelo Professor Doutor João César das Neves. Começou por fazer várias considerações sobre a escola e destacou dois dos seus principais atributos: lugar de ensino e lugar de educação. A escola terá de ensinar as linguagens que possibilitarão ao aluno a relação com o mundo que o rodeia. A escola tem também de lhe facultar as bases do conhecimento. À escola cabe também a difícil tarefa de ensinar o método. E neste campo o Professor foi peremptório – o saber ocupa lugar! – por isso há que estimular mentes organizadas e seleccionar a informação que armazenamos, bem como aprender a trabalhar – o que implica esforço e sofrimento.
Ao nível da educação a escola deverá ter em conta três princípios: tradição, vivência e crítica. A tradição fundamenta, acondiciona a nossa vida numa família, numa região, num país. Há que conhecê-la, respeitá-la. Há que viver determinados princípios, valores; a tolerância começará aí, no momento em que, seguras do que querem e defendem, as pessoas aceitam e respeitam a diferença. Será um erro a tolerância que tem sido proposta pelos grandes meios de comunicação, porque não a sustentam em nada. Por princípio, tudo será aceitável e as pessoas não passam de canas agitadas pelo vento. A crítica é também fundamental. O confronto permite uma análise e uma apropriação. O adolescente que questiona os pais, que põe em causa as suas opções, estará a criar espaço dentro de si, na sua individualidade, para as assimilar.
No que respeita aos valores, afirmou que eles continuam a abundar. A questão deverá colocar-se ao nível dos critérios. Nesse sentido, deu o exemplo da necessidade de escolher entre a liberdade da mãe e a vida de uma criança, quando se coloca a questão do aborto. Que critério para escolher um valor em detrimento do outro? Nesse sentido, confrontou ainda os ouvintes com a dualidade da sua existência no que aos valores diz respeito. Na sua opinião, cada pessoa ostenta um “eu público” e um “eu privado” e que aquilo que se “faz no emprego não se faz em casa”. Na verdade, parece dominar a ideia de que para se ter sucesso não se pode ser bom.
Que saída? A solução passará por acreditar que a Verdade existe. Que as pessoas são naturalmente boas. Que cada pessoa é uma pequena peça “da grande Verdade de que todos gostamos”.
Foi uma extraordinária lição proferida por um extraordinário comunicador. Resta sublinhar que os trabalhos continuarão até ao final do ano e que, como afirmou o director, Dr. Joaquim Valente, “Escola Promotora de Valores” continuará a ser o tema que orientará o projecto desta escola no próximo ano lectivo.

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