À barca, à barca, houlá!
Assim começa uma das mais conhecidas peças do mestre Gil Vicente: Auto da Barca do Inferno. Um texto de 1517 que a Companhia de Teatro O Sonho teima em levar à cena para o público escolar. O salão estava lotado, na tarde do dia nove, em Perafita. A expectativa não saiu frustrada. Em palco estiveram personagens já bem conhecidas recriadas por actores enérgicos e criativos. O cenário, o guarda-roupa, os adereços, o som, a música, as luzes, os efeitos especiais, a caracterização, contribuíram de forma adequada para que cada personagem contasse a sua história antes de embarcar. É, sem dúvida, um excelente contributo para que os alunos visualizem a interacção das diversas linguagens que possibilitam um espectáculo teatral.
Contudo, não poderei deixar de referir o ruído que os espectadores foram fazendo durante a sessão, perdendo parte dos diálogos, apesar das estratégias do encenador já acostumado à irreverência juvenil.
Também o trabalho desenvolvido apresentou fragilidades: foi notória a rapidez exagerada de alguns diálogos, uma correria que não permitiu a compreensão do texto; a repetição maçadora de sons, de reacções algo desadequadas, de movimentos. A dada altura as personagens pareciam-se todas com Joane, nos tiques de linguagem e de carácter.
Notou-se que o espectáculo e os espectadores estavam a atingir uma espécie de limite. Um porque procurava manter intacto o texto original, sabendo que poderia não cativar e, por isso, não resistiu a introduzir-lhe certos anacronismos e exageros; os outros porque resistiam à concentração, ao esforço, caindo na tentação de ser espectáculo de si mesmos.
Resta dizer que os alunos do nono ano desta escola se portaram à altura: divertiram-se e respeitaram o trabalho da companhia.:)
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